O Globo
A Polícia Federal descobriu, ao apreender documentos em imóvel usado pela máfia do bicho e dos caça-níqueis, durante a Operação Hurricane, papéis que mostram supostas doações financeiras do esquema para 12 políticos do Rio de Janeiro, incluindo quatro candidatos ao governo do estado em 2002, entre os quais Benedita da Silva (na época, governadora) e Rosinha Garotinho. Os acusados negam ter recebido recursos ilegais
Ao lado das abreviaturas de nomes, a PF colocou entre parênteses a identificação dos beneficiados. Entre eles, "A. Lins" (Álvaro Lins, na época chefe de Polícia Civil e hoje deputado estadual); "J. Quintal" Josias Quintal, ex-secretário de Segurança e hoje empresário do ramo de segurança eletrônica e pré-candidato a prefeito de Santo Antônio de Pádua); "B. Rodrigues" (Bispo Rodrigues, ex-deputado federal); "Flávio Furtado" (delegado federal); "B. Silva" (Benedita da Silva, na época governadora e hoje secretária estadual de Desenvolvimento Social do Rio); "S. Amaral" (Solange Amaral, na época candidata ao governo estadual e hoje deputada federal); "JR Silveira" (identificado no relatório como "José" Roberto Silveira, mas que pode ser Jorge Roberto Silveira, candidato ao governo estadual na época).
Na lista, figuram também os nomes de "Conde" (Luiz Paulo Conde, ex-prefeito, candidato a vice na chapa de Rosinha na época, hoje secretário de Cultura), "Rosinha" (Rosinha Garotinho, na época candidata ao governo estadual); "D. Braz - André Luiz" (Domingos Brazão, deputado estadual, e André Luiz, ex-deputado federal, posteriormente cassado);"Eurico" (Eurico Miranda, na época deputado federal, que não se reelegeu); e "CH Mang." (Chiquinho da Mangueira, na época secretário de Esportes e posteriormente eleito deputado estadual).
Rosinha, pela contabilidade, é agraciada com três doações, nos dias 8, 9 e 10 de fevereiro (provavelmente em 2002), no valor total de "1.600.00" (valor que, provavelmente, é de R$ 1,6 milhão), Benedita recebe uma doação, no dia 8, de "40.00" (provavelmente R$ 40 mil); Solange teria recebido "200.00" (em 8 e 9 de fevereiro), Jorge Roberto, "100.00".
Há doações cujos favorecidos não foram identificados no relatório. Entre eles está "JO/PAU", que é o mais favorecido: 2.500.00 (R$ 2,5 milhões), entre 11 de janeiro e 3 de fevereiro.
Os papéis foram encontrados num imóvel que seria utilizado pelo advogado Júlio Cesar Guimarães Sobreira, sobrinho do contraventor Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, ex-presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa). Os dois foram presos junto com outros bicheiros cariocas, durante a Operação Hurricane. Júlio seria o responsável pela liberação do dinheiro usado nos pagamentos de propinas a policiais e no financiamento de campanhas de políticos.
Ex-governadora nega ter recebido dinheiro
A maioria dos políticos identificados na lista apreendida pela Polícia Federal nega ter recebido dinheiro de bicheiros. A ex-governadora Rosinha Garotinho informou, por sua assessoria de imprensa, que todas as contribuições de campanha para as eleições de 2002 foram apresentadas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que aprovou suas contas. Segundo Rosinha, não houve ajuda financeira para a campanha que não tenha sido contabilizada.
O deputado estadual Domingos Brazão (PMDB) disse que conhece o bicheiro Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães. No entanto, afirmou que não recebeu ajuda de campanha nas eleições de 2002. O deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PMDB), ex-secretário de Esporte de Anthony Garotinho e de Rosinha, também negou ter recebido contribuição de bicheiros.
Eurico Miranda: "Não sei quem é Júlio Guimarães"
O ex-deputado federal e atual presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda, mostrou-se surpreso por seu nome ter aparecido na lista: "Não sei quem é Júlio Guimarães, mas conheço o Capitão Guimarães, que é sócio do Vasco. Não sei de qualquer doação feita por eles" disse.
O ex-prefeito de Niterói Jorge Roberto Silveira também afirmou que não tem conhecimento das doações e teve poucos recursos em sua campanha. O ex-prefeito do Rio e ex-vice-governador Luiz Paulo Conde, atualmente secretário estadual de Cultura, disse, por sua assessoria, que não ia se pronunciar. Ex-presidente da Liesa, ex-deputado federal e atual presidente da Caprichosos de Pilares, Paulo de Almeida também negou ter recebido dinheiro da contravenção.
A ex-governadora e hoje secretária estadual de Direitos Humanos e Assistência Social, Benedita da Silva, não foi localizada por sua assessoria. Ex-secretário de Segurança, Josias Quintal, segundo a família, viajou para seu sítio, em Santo Antônio de Pádua, onde não foi localizado. Ex-vice-prefeito de Belford Roxo, o delegado da PF Flávio Furtado não foi localizado. O ex-deputado federal André Luiz também não foi encontrado. Já Solange Amaral disse que desconhece o teor da lista e que, de qualquer forma, não recebeu esses recursos.
A Polícia Federal descobriu, ao apreender documentos em imóvel usado pela máfia do bicho e dos caça-níqueis, durante a Operação Hurricane, papéis que mostram supostas doações financeiras do esquema para 12 políticos do Rio de Janeiro, incluindo quatro candidatos ao governo do estado em 2002, entre os quais Benedita da Silva (na época, governadora) e Rosinha Garotinho. Os acusados negam ter recebido recursos ilegais
Ao lado das abreviaturas de nomes, a PF colocou entre parênteses a identificação dos beneficiados. Entre eles, "A. Lins" (Álvaro Lins, na época chefe de Polícia Civil e hoje deputado estadual); "J. Quintal" Josias Quintal, ex-secretário de Segurança e hoje empresário do ramo de segurança eletrônica e pré-candidato a prefeito de Santo Antônio de Pádua); "B. Rodrigues" (Bispo Rodrigues, ex-deputado federal); "Flávio Furtado" (delegado federal); "B. Silva" (Benedita da Silva, na época governadora e hoje secretária estadual de Desenvolvimento Social do Rio); "S. Amaral" (Solange Amaral, na época candidata ao governo estadual e hoje deputada federal); "JR Silveira" (identificado no relatório como "José" Roberto Silveira, mas que pode ser Jorge Roberto Silveira, candidato ao governo estadual na época).
Na lista, figuram também os nomes de "Conde" (Luiz Paulo Conde, ex-prefeito, candidato a vice na chapa de Rosinha na época, hoje secretário de Cultura), "Rosinha" (Rosinha Garotinho, na época candidata ao governo estadual); "D. Braz - André Luiz" (Domingos Brazão, deputado estadual, e André Luiz, ex-deputado federal, posteriormente cassado);"Eurico" (Eurico Miranda, na época deputado federal, que não se reelegeu); e "CH Mang." (Chiquinho da Mangueira, na época secretário de Esportes e posteriormente eleito deputado estadual).
Rosinha, pela contabilidade, é agraciada com três doações, nos dias 8, 9 e 10 de fevereiro (provavelmente em 2002), no valor total de "1.600.00" (valor que, provavelmente, é de R$ 1,6 milhão), Benedita recebe uma doação, no dia 8, de "40.00" (provavelmente R$ 40 mil); Solange teria recebido "200.00" (em 8 e 9 de fevereiro), Jorge Roberto, "100.00".
Há doações cujos favorecidos não foram identificados no relatório. Entre eles está "JO/PAU", que é o mais favorecido: 2.500.00 (R$ 2,5 milhões), entre 11 de janeiro e 3 de fevereiro.
Os papéis foram encontrados num imóvel que seria utilizado pelo advogado Júlio Cesar Guimarães Sobreira, sobrinho do contraventor Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, ex-presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa). Os dois foram presos junto com outros bicheiros cariocas, durante a Operação Hurricane. Júlio seria o responsável pela liberação do dinheiro usado nos pagamentos de propinas a policiais e no financiamento de campanhas de políticos.
Ex-governadora nega ter recebido dinheiro
A maioria dos políticos identificados na lista apreendida pela Polícia Federal nega ter recebido dinheiro de bicheiros. A ex-governadora Rosinha Garotinho informou, por sua assessoria de imprensa, que todas as contribuições de campanha para as eleições de 2002 foram apresentadas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que aprovou suas contas. Segundo Rosinha, não houve ajuda financeira para a campanha que não tenha sido contabilizada.
O deputado estadual Domingos Brazão (PMDB) disse que conhece o bicheiro Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães. No entanto, afirmou que não recebeu ajuda de campanha nas eleições de 2002. O deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PMDB), ex-secretário de Esporte de Anthony Garotinho e de Rosinha, também negou ter recebido contribuição de bicheiros.
Eurico Miranda: "Não sei quem é Júlio Guimarães"
O ex-deputado federal e atual presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda, mostrou-se surpreso por seu nome ter aparecido na lista: "Não sei quem é Júlio Guimarães, mas conheço o Capitão Guimarães, que é sócio do Vasco. Não sei de qualquer doação feita por eles" disse.
O ex-prefeito de Niterói Jorge Roberto Silveira também afirmou que não tem conhecimento das doações e teve poucos recursos em sua campanha. O ex-prefeito do Rio e ex-vice-governador Luiz Paulo Conde, atualmente secretário estadual de Cultura, disse, por sua assessoria, que não ia se pronunciar. Ex-presidente da Liesa, ex-deputado federal e atual presidente da Caprichosos de Pilares, Paulo de Almeida também negou ter recebido dinheiro da contravenção.
A ex-governadora e hoje secretária estadual de Direitos Humanos e Assistência Social, Benedita da Silva, não foi localizada por sua assessoria. Ex-secretário de Segurança, Josias Quintal, segundo a família, viajou para seu sítio, em Santo Antônio de Pádua, onde não foi localizado. Ex-vice-prefeito de Belford Roxo, o delegado da PF Flávio Furtado não foi localizado. O ex-deputado federal André Luiz também não foi encontrado. Já Solange Amaral disse que desconhece o teor da lista e que, de qualquer forma, não recebeu esses recursos.